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Um papo com Zezito Barbosa

fotos-novas-de-Collaroy-1440001Pernambucano, de grande influência no surf, das regiões norte e Nordeste, Zezito Barbosa, que teve o auge da sua carreira como surfista profissional durante as décadas de 70 até 90, fala sobre o cenário do surf atual. {module LikeFB}

Com mais de 35 anos de surf na bagagem, ele agora se dedica a viajar a procura das ondas perfeitas, dentre suas pausas, nos deu a alegria de conceder essa entrevista! MAHALO!

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Você começou a surfar por instinto, levado pela natureza e pela vibe do surf, numa pranchinha de isopor, com uma quilha de madeira que foi adaptada no fundo dela, em 1972. Já em 1975, você conquistou o primeiro título. Como é pra você ver essa geração nova, com toda tecnologia sendo aplicada nas pranchas, meninos como Medina realizando manobras super radicais. Você acha que o surf evoluiu e manteve a mesma essência da época em que você começou?

 

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É isso aí, garotos como o Medina asseguram um futuro brilhante para o Surf Brasileiro. Teremos em breve um campeão mundial, graças ao excelente trabalho que a ABRASP vem desempenhando durante mais de duas décadas com o intuito de chegar aonde chegamos, na atualidade. Hoje, o Brasil talvez seja o país com o maior potencial no planeta.

 

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O Surf evoluiu muito e ainda continuará evoluindo bastante, sem perder a sua essência porque a sua própria identidade é a natureza, é a liberdade, ditando assim, moda, estilo de vida e uma comunicação única, diferenciando-o dos outros esportes. Acho que o maior ganho da modalidade está na imagem do surfista, que vem se limpando muito rapidamente perante a sociedade em vários países e, principalmente, no Brasil.

 

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Você já venceu um campeonato brasileiro, competindo com Cauli Rodrigues, Daniel Friedman e Sergio Testinha, que, na década de 70, eram referências. Com certeza, isso é um marco na vida de qualquer surfista profissional. Nos dias de hoje, temos como referência Kelly Slater. Dentre os surfistas brasileiros, quem você acha que tem mais chances chegar perto, ou ultrapassar os títulos que o careca conquistou?

 

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Sim, depois da minha primeira vitoria em 1975 no “Campeonato Pernambucano”, foram vários títulos estaduais, regionais e um nacional. Participei em competições durante as décadas de 70, 80. 90, até meados da década de 2000. Kelly Slater é uma junção de vários fatores durante duas décadas, pessoas assim não nascem freqüentemente.

 

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Acredito que dos surfistas atuais que estão representando o Brasil no circuito mundial, talvez o Mineirinho e o Medina consigam trazer pra gente um, ou dois títulos mundiais. Ultrapassar ou chegar perto das conquistas do Slater, acho impossível.

 

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O meio do surf brasileiro mostra uma imagem de pouca união entre os atletas. Você acha que os surfistas poderiam ser mais unidos em prol do esporte, ou você não vê essa desunião na classe?

 

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Acho que os atletas que estão representando o Brasil no circuito mundial da ASP, deveriam se ajudar bem mais durante os eventos e, principalmente, antes e depois das baterias.

 

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Não vejo desunião, e sim uma falta de maturidade no grupo de atletas que acompanham o circuito mundial. A ABRASP poderia eleger um MENTOR para estar presente em todas as etapas do WT /Asp, e assim sendo, orientar os atletas brasileiros no decorrer dos eventos.

 

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Qual é a visão que os surfistas tinham sobre o exterior quando você começou e como eles são vistos agora, na sua opinião?

Nos anos 70, o Surfista tinha uma visão muito vaga e conseqüentemente eram vistos como seres alienígenos,”Viviam de sonhos”, como Wodstock aquáticos. A partir  dos anos 80, tudo isto começou a mudar , o surf em geral começou a se tornar profissional, atraindo a atenção da mídia e o interesse captalista das grandes marcas. A imagem do surfista brasileiro no exterior nos dias atuais é bem positiva e promissora, devido ao desenvolvimento profissional do esporte em nosso p,aís. Nos anos 70, poucos surfistas se aventuravam a viajar o mundo, quando decidiam fazer isto, faziam com muita irresponsabilidade, deixando pra traz um monte de atitudes lixo que manchavam a imagem do brasileiro, principalmente no Hawaii. Hoje , tudo isto mudou “Somos bem respeitados”.

 

Pra conseguir uma boa colocação e ter um bom rendimento, os surfistas devem ter uma vida regrada e muito tempo dedicado aos treinos. O que para você é indicado à um surfista que deseja chegar no topo fazer? Qual deve ser sua filosofia de vida?

Aprender a falar Inglês, freqüentar academia para fortalecer os músculos, treinar todos os dias, focado em qualquer tipo de onda, estar ligadíssimo nos top surfer’s e realmente estar a vontade para expor, sem medo de críticas, o seu melhor desempenho nas competições. Aprender com as derrotas e vitórias, estar preparado para todo e qualquer tipo de situação, físico e mentalmente.

Filosofia de vida totalmente dedicada ao Surf porque a carreira de um surfista profissional é curta.

Para quem quer começar a viajar atrás das ondas mais perfeitas do mundo, quais os lugares que você indica? Qual o roteiro que você mais gosta de fazer? E quais são as dicas para quem está fazendo isso pela primeira vez? 

Começaria pela Indonésia por ser barato, depois o destino seria as ilhas do pacifico: Samoa, Tonga, Fiji, Hawaii, Austrália, New Zealand, Espanha, Portugal, Franca.

O roteiro que mais gosto de fazer é partindo daqui da Australia para a New Zealand, Indonesia, Espanha, Brasil e Hawaii.

Partindo aí do Brasil para a California, Hawaii, ilhas do Pacífico e Indonesia. 

As dicas: proteger bem as pranchas, visitar países que não exigem visto de entrada e que a nossa moeda “Real” tenha um certo valor, fazer um programa de milhagens com a OneWorld, seguro saúde internacional.

Com todas estas providências básicas a viagem será um sucesso, prazerosa e de muito aprendizado, porque o estado emocional é muito importante quando se está enfrentando as ondas em outros países, principalmente Ondas Grandes.

Para finalizar, é possível viver de surf no Brasil?

Sim, O surf atingiu um estágio bem confortável, proporcionando a seus adeptos a oportunidade de seguir uma carreira de surfista profissional por um bom tempo.

Fotos: Roberta Mayanah
Por Priscila Boabeyd

Fonte: Brazilian Surf Channel
 

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