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Surf na China

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Na China, surfistas brasileiros encaram pororoca, escorpião no espeto e aventura na Muralha

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Um grupo de brasileiros participou de uma verdadeira aventura na China. Em missão para surfar a temida pororoca chinesa, o paranaense Serginho Laus, Everaldo Pato Teixeira e a longboarder Chloé Calmon aproveitaram para provar comidas inusitadas e ainda encontraram um tobogã radical na Muralha da China.

“A onda em si é no mesmo esquema da pororoca daqui: uma onda de maré, a gente vai com o barco até um ponto “x” e espera onda vir e vai surfando. Só que lá é um país com uma cultura diferente e todo cheio de regras. Para surfar todos tinham que assinar um monte de termo de compromisso, todos falando em morte, só para isentar o governo local”, explicou o paranaense Sérgio Laus, referência em surfe na pororoca e o grande responsável pelo surfe na pororoca chinesa.

Sergio Laus, respeitado desbravador de pororoca e recordista mundial de permanência na onda entre 2005 e 2010, com a marca de 11.8 quilômetros de surfe sem parar, o paranaense conseguiu convencer o governo da China, depois de cinco anos de insistência a autorizar, a prática do esporte na onda. A pororoca chinesa marca a chegada do Dragão de Prata no calendário chinês e sempre foi temida e, no passado, chegou a matar pessoas à margem do rio Quintang.

“Agora virou um megaevento, muito legal mesmo, com transmissão ao vivo por uma TV aberta local. Foi um espetáculo, com helicóptero e um público enorme, mas ainda cheio de regras. Para entrar no rio ainda tem um monte de regras e pelo fato de a onda passar por várias províncias, é preciso pegar várias autorizações. E sempre tem que ficar atento para não surfar entre algumas pontes consideradas perigosas  nunca a menos de 70 metros da margem”, lamenta Serginho, lembrando que em alguns momentos a onda estava perfeita, mas era preciso sair da prancha e voltar ao barco para cumprir as leis, já que a polícia fica em cima o tempo todo durante os quatro dias em que a onda do mar avança pelo rio.

“Era para ser cinco dias de evento, mas no primeiro dia eu e a  Chloé estávamos muito cansados depois de dois dias de viagem para chegar lá na China. Aí só o Pato e uns americanos que participaram do evento surfaram”, contou Serginho, explicando que o primeiro dia foi o que registrou a maior onda e lembrando que no dia seguinte só os praticantes de wakeboard puderam brincar na pororoca.

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Sergio Laus conta que se divertiu demais no terceiro dia, mas à noite sofreu com muitas dores e teve de ir ao hospital em razão de uma pedra na bexiga. Apesar de ter sido bem atendido no hospital local e ter se recuperado rapidamente, o paranaense não pôde surfar no quarto dia do evento, quando Pato e Chloé se esbaldaram de tanto surfar. O quinto dia foi cancelado pelo governo porque uma mulher aproveitou a presença da imprensa no quarto dia e ameaçou cometer um suicídio.

Mas não houve nenhuma tragédia e Serginho não reclama em nada da aventura. Longe da pororoca e ainda na China, o paranaense e os outros brasileiros passaram por inesquecíveis experiências do outro lado do mundo. Mas Serginho confessa: nem todas foram agradáveis, especialmente quando resolveu encarar a culinária local.

“Nossa, nós fomos comer umas coisas bizarras. A gente comeu escorpião em um espetinho, com umas três unidades em cada. A chinesinha botava na frigideira, torrava e jogava um sal. Esse era o de menos, parecia uma batatinha crocante. Mas a gente comeu cigarra, achando que era besouro. Mas na hora em que mordia, tinha uma bolsa e parecia que a gente estava comendo barata”, comenta Serginho, louco para lembrar outro momento em que radicalizou na viagem.

“Nós fomos até a Muralha da China e só de ir lá já seria impressionante. Só que tem um tobogã gigante ao lado da Muralha e fomos dropar, claro. Foi animal, mais de dois minutos de descida em um carrinho, tipo um bobsled”, vibrou Serginho, cheio que já voltou ao Brasil e se preparava para retomar no ano que vem o recorde mundial de permanência na onda, já que o inglês Steve King andou por 15 quilômetro em uma onda na pororoca inglesa, no ano passado.

“Eu surfei 23 quilômetros no começo do ano, sem querer, no Amapá. Mas eu não estava pensando mais no recorde, que exige a maior burocracia para ser validado. Mas como eu vi que dá para bater o recorde e fazer ainda mais, no ano que vem eu vou tentar de novo”, avisa Serginho, ansioso para voltar ao Amapá no início do ano que vem e se aventurar mais uma vez.

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