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Surf, em essência

 

marina-onda-finitoSurf, em essência, não tem uma definição ou conceito, apenas. É simultaneamente um sentimento e uma sensação. Vem tão de dentro que ouso dizer que é instintivo, pode-se constatar isso ao observar filmagens de focas, golfinhos e até orcas “surfando”.

A maioria das pessoas que já viu alguém surfando talvez concorde que a prática situe-se em algum lugar entre o desporto e a arte: a onda é o suporte, somos o instrumento que corta, desenha a superfície e para isso se despende razoável esforço físico. Não importa se o corpo flui com a onda sozinho ou auxiliado por uma imensa variedade de próteses (pranchas) que permitem nuances de controle e velocidade por meio de sua diversidade – handplanes, bellyboards, shortboards, longboards, só para citar as classificações mais corriqueiras. Em um mundo desportivo de alta “performance”, o surf perde a cada dia suas características essenciais. Em parte porque a oralidade que sustenta tal essência é pouco foi difundida fora do Hawaii, que lhe deu origem. Por outro lado, a evolução do aspecto desportivo, atraiu o foco para a performance em si, desprovida de essência e plena de soberba e agressividade. A essência da pessoa e, por extensão, do surf de cada um, é o sopro compartilhado da vida – “Ha” para os havaianos. Uma pessoa sem o “Ha” é um Ha-ole, ou seja, alguém sem espírito, sem essência. Cabe aos que entendem isso se esforçarem para preservar a essência do surf e das pessoas. Como? Comece por respeitar o bodysurfer, o bodyboarder, o iniciante, os mais velhos que ainda têm o privilégio de surfar. Respeite a fila, a prioridade na onda, a natureza, o próximo. Apenas respeite e já teremos um bom começo. Boas ondas e boa semana a todos.

 

João Pessoa

João Pessoa, ou simplesmente “JP”, é recifense, pai de três, artista plástico e surfa há mais de trinta anos. Começou a pegar onda em 1983 nos pequenos fundos-de-pedra da praia de Boa Viagem, bem antes do tubarão começar a morder gente e hoje se considera um surfista “overall”: pode ser visto praticando bodysurf hoje, caindo de pranchinha amanhã, despencando de bodyboard no Sábado e estilizando no longboard aos Domingos. Acredita firmemente que no surf não pode haver espaço para preconceitos.

No ramo das artes João se dedica ao desenho, à pintura, à escultura e ao shape de handplanes e paipos em madeira. Dedica boa parte de sua pesquisa sobre surf a escrever e traduzir textos sobre história e filosofia do surf, shape e tecnologia de fabricação de pranchas publicados em fontes estrangeiras, bem como a desenvolver os conceitos de suas próprias pranchas.
Fone: 55 81 9 8979 5959
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Instagram: @jpvisualarts

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