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Entenda um pouco mais sobre o surf

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Aloha galera!! Então… Tenho recebido algumas mensagens pedindo dicas sobre a pratica do surf, por conta disso resolvi criar esse post, para que os iniciantes possam aprender um pouco mais sobre o mar, saúde, treinamento, equipamentos e vários outros detalhes que poderão ajudá-los numa melhor compreensão do esporte radical mais praticado no mundo.

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CONDIÇÕES DO MAR

Por ser um esporte que não depende somente da vontade do surfista, existem vários fatores externos que precisam se conjugar para que se possa praticá-lo. Nem sempre o mar e/ou o vento apresentam condições favoráveis a pratica do surf na praia mais próxima de sua casa ou seu pico predileto. De acordo com o posicionamentos geográfico das praias, as influências dos ventos, marés, correntes e a direção do swell, variam muito, portanto, você deve conhecê-los bem para ir ao local certo e fazer um bom surf.

VENTOS E CORRENTES

Para se ter melhor conhecimento sobre ventos e correntes devemos conhecer os pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste). O Sol nasce no Leste e se põe no Oeste, a partir daí saberemos que nome daremos ao vento e quais suas influências no mar.
Por Exemplo:
– O vento terral tem este nome porque sopra da terra para o mar.
– Um vento quente, geralmente alisa o mar e torna as ondas cavadas.
– Muitos dias de vento terral pode acabar com a ondulação.
– O vento maral é o inverso do terral, sopra do mar para a terra.
– Um vento frio, pode trazer grandes ondulações ou frente fria.

LUA

As variações da lua influem diretamente nas marés, luas fortes (lua cheia e nova) significam marés com muitas variações (muito alta e muito baixa). Luas fracas (minguante e crescente) significam poucas variações de marés. As mudanças das luas também podem influir no tamanho e formação das ondas.

FUNDOS

Os tipos de fundos têm influência na qualidade da formação das ondas.
– Fundo de Areia: São bancos de areia que se modificam de acordo com as correntes e ventos, são cercados de valas que fazem a boa formação das ondas ou não, quando elas estão com pouca força.
Obs.: As valas são buracos ou correntes onde a água empurrada pelas ondulações para praia retorna ao oceano. Elas ficam sempre entre dois bancos de areia, o que é muito bom para os surfistas, pois chegamos ao fundo com mais facilidade e perigosas para os banhistas, pois muitos se afogam nelas, lutando contra sua força.
Exemplo de fundos de areia: Barra da Tijuca (RJ), Hossegor (França), Puerto Escondido (México).
– Fundo de Pedra: Formados perto de encostas que têm origem no mar, são fundos constantes que só dependem de uma boa ondulação vinda na direção certa.
Obs.: Em alguns lugares, longe de encostas, existem acúmulos de pedras que fazem ondas de boa formação no meio das praias.
Exemplos de fundos de pedra: Rincon Point (Califórnia), Silviera (SC-Brasil).
– Recifes de Coral: Este tipo de fundo se classifica de duas formas: (A) a que se forma a partir da praia e (B) as que se formam longe das praias.
Nas que se formam longe das praias como Pipeline e Serrambi (Pernambuco), as ondulações encontram as paredes de recifes fazendo com que as ondulações quebrem longe da praia e acabem nos canais (valas). Dependem de um conjunto de fatores para que se tornem realmente boas. O outro tipo de fundo de coral se forma a partir da praia ou de fundos muito rasos que quase formam pequenas ilhotas e, pela proximidade um do outro como arquipélago, qualquer tipo de ondulação e vento proporciona um bom divertimento fazendo ondas que muitas vezes só conseguimos chegar ao pico usando barcos. (Ex.: Cloudbreaks de Tavarua nas Ilhas Fiji). Neste último tipo, se deve ter muita atenção com a variação das marés, pois, quando esta muito baixa se torna muito perigoso (os corais são muito afiados e em muitos momentos ficam expostos podendo causar ferimentos).

PREPARO FÍSICO

Todo surfista competidor deve fazer um trabalho de preparação física orientado por um professor de Educação Física (com trabalho específico para o surf). O treinamento diário deverá ser feito com muita disposição e seriedade em horários certos, pois somente desta forma o surfista deverá alcançar uma boa condição física e um melhor desempenho esportivo. Para os praticantes do “free surf” que não queiram ou não possam ter uma orientação profissional, recomendamos que façam exercícios físicos como: correr, nadar e pedalar de forma progressiva até se chegar a mais ou menos uma hora de trabalho diário para cada modalidade e exercício. Fazer aquecimento, alongamento, flexibilidade antes e relaxamento depois do surf é super importante, desta forma obtem-se um melhor desempenho no mar.

ALIMENTAÇÃO

A alimentação deve ser a mais saudável possível, adequada ao clima local. No caso do competidor, recomendamos o acompanhamento de um nutricionista, principalmente por causa das constantes viagens, variações na alimentação e clima. Equilíbrio na ingestão de proteínas, vitaminas, carboidratos e sais minerais. Evitar gorduras, sal e açúcar (branco) e fazer as refeições em horários certos, são também ótimos hábitos que mantém uma boa saúde, pois a prática do surf estimula o apetite pelo fato de consumir muitas calorias. Portanto, devemos saber como repô-las da forma mais saudável possível.

DESCANSO

Devido ao grande desgaste físico, orgânico e psicológico decorrente da prática de um dia de surf (no caso de uma competição este desgaste é muito maior), deve-se cumprir um rigoroso horário de descanso de no mínimo 8 horas diárias para repor as energias (de preferência dormir e acordar cedo).

PREPARO TÉCNICO

A preparação técnica deve ser feita por um profissional, de preferência com formação acadêmica. Esse treinamento deve ser feito nos mais variados tipos de onda, condições de mar e locais. Reconhecer suas manobras de maior dificuldade e procurar corrigi-las através de filmagens (se possível) e conversas com seu técnico. A observação do posicionamento próprio, comparado ao de grandes surfistas, em fotos ou filmes, sobre a prancha é super importante para correção de nosso erros, pois a cada momento da onda se tem a necessidade de um posicionamento específico, saber usar os joelhos como amortecedores e impulsionadores, usar os braços e o corpo como pêndulos mantendo-os com a angulação correta de acordo com cada momento da onda para maior equilíbrio e velocidade. A repetição do treinamento é muito importante para que se consiga corrigir os erros e realizar as manobras da melhor forma possível, ou seja, com velocidade, radicalidade, pressão, equilíbrio e controle da prancha aliados a um belo estilo e economia de movimentos. O uso do corpo como um todo, juntamente com a prancha (usada de forma harmoniosa) e o mar, torna o surf num dos mais belos espetáculos da terra.

PREPARO PSICOLÓGICO

De modo algum se deve permitir que o surf atrapalhe os estudos (é possível e muito benéfico para o surfista, organizar-se para conciliar as duas coisas). Um surfista não deve ser alienado nem burro. Ele precisará cuidar de seu futuro e, mesmo aqueles competidores que futuramente seguirem o profissionalismo devem se precaver e saber que um campeão não se faz apenas com um bom preparo técnico e físico, mas com muita inteligência (procurar ver a vida com maior amplitude). Ser realista e analisar que a vida útil na carreira de um atleta é curta e nem sempre compensadora financeiramente. Portanto estude e tire o máximo proveito do estudo!

DROGAS

O surfista precisa ter um corpo e uma mente saudável, portanto afaste-se delas, pois nossa busca é pela saúde e não pela destruição.

REGRAS E TÁTICAS

O surfista competidor deve ter conhecimento de todas as Regras de competição, o que se consegue através de um estudo do Livro de Regras. As táticas de competição são desenvolvidas pela observação, conversas e experiências vividas durante as baterias nos diversos campeonatos e também nos treinamentos, onde colocamos em prática tudo o que foi absorvido para chegarmos ao melhor resultado.

ESCOLHEDO A PRANCHA

Se você está estreando no surf, muita atenção ao escolher a prancha. Prefira as maiores. Elas são mais lentas e, por tanto, mais fácil para se equilibrar. Mas cuidado. Toda a prancha deve ser proporcional ao seu peso e altura. Para um surfista de 65 Kg e 1m e 62cm de altura, o ideal é uma prancha de 6’3(seis-três polegadas) e por ai vai. Nas lojas, peça sempre informações. Se for a uma surf shop, peça o endereço e a procedência do fabricante, pois, caso haja algum problema, você saberá a quem recorrer. Verifique se existem pontos fracos nas emendas dos tecidos, bordas, edges e rabeta. Veja se há tecidos esbranquiçados nas quilhas e possíveis bolhas nas bases. Verifique o peso da prancha. Desconfie se ela for muito leve, pois pode ter somente um tecido no deck (em cima) e em pouco tempo, com a pressão dos pés, o glass irá afundar. Fique atento com pranchas que tenham o preço muito baixo, pois você pode estar sendo cobaia de alguém que está iniciando no ofício ou de algum pára-quedista do mercado. Se o acabamento final for speed finish ou fosco (lixa d’água), verifique a prancha com atenção redobrada, já que estas formas de acabamento escondem mais os defeitos no glass, assim como as pinturas, que devem ser feitas no shape antes da laminação. Lembre-se que o Brasil é hoje o país onde as pranchas têm os preços mais baixos. Portanto 20 ou 30 reais a mais, na hora da compra, podem representar maior durabilidade, maior valor de revenda, mão-de-obra qualificada, qualidade de material empregado, marca conceituada no mercado e, principalmente, o prazer de ter efetuado uma boa compra.

CONSERVANDO A PRANCHA

Sabemos que uma prancha não é um material barato, imagine se não cuidarmos com todo carinho. Então aqui vão algumas dicas importantes para que possa cuidar melhor do seu valioso equipamento: (1) Usar sempre uma capa para proteger sua prancha tanto do sol como contra eventuais pancadas; (2) Não deixe nunca sua prancha exposta pôr muito tempo ao sol, pois além de amarelar mais rápido pode aparecer bolhas no glass; (3) Em hipótese alguma deixar a prancha com capa escura ou clara dentro do carro todo fechado debaixo de um sol muito forte, pois poderá ter danos irreparáveis como regressão do bloco e bolhas; (4) Depois de um dia de surf lavar sempre a prancha e o leash; (5) Se usar parafina trocar quando estiver muito suja ou escurecida e quando for passar uma nova coloque sempre uma boa camada de parafina isto irá proteger o deck (parte de cima) da prancha contra amassões; (6) Qualquer quebrado ou trinco, vedar imediatamente com silvertape (fita adesiva prateada) para que não infiltre água e levar o mais rápido possível em uma oficina especializada para fazer os reparos; (7) Evite colocar uma prancha encima da outra se estiver com parafina, pois pode grudar no fundo e alterar o desempenho e fluidez nas ondas.

CONCLUSÃO

O surf pode ser praticado por qualquer pessoa de qualquer idade, porém antes de sair se arriscando nas ondas tire suas dúvidas com algum surfista mais experiente ou procure alguma escola do esporte. Existem muitas escolinhas espalhadas pela maioria das praias do País. Para as crianças é essencial que estejam acompanhadas, pois os perigos são maiores. Respeite sempre a natureza e acima de tudo seus próprios limites, nunca tente fazer mais do que consegue e jamais se arrisque em condições acima do seu controle. Aproveite, surf é vida, surf é saúde, surf é compartilhar momentos inesquecíveis ao lado dos amigos, Keep Surfing, Mahalo, Paz!!

Postado por MaiNe
Site: http://maineland.blogspot.com

 

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