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Do Skate ao Surf


Método consiste em repetir em terra as mesmas angulações de braços, pernas, quadril e cabeça utilizadas na água.
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Surfe e skate. Dois dos esportes mais identificados com Florianópolis são objetos de um método de treinamento que pretende revolucionar a formação de jovens surfistas com manobras no carrinho. A partir de sua experiência como surfista amador, Arthur Philippi Dutra desenvolveu uma lógica para as pessoas aprenderem a surfar sem necessariamente pisar em uma praia. Denominada MAP (Método Arthur Philippi), consiste basicamente em repetir as angulações de braços, pernas, quadril e cabeça utilizadas no surfe em cima do skate. As constantes repetições em solo ajudariam a “fixar” o que deve ser feito no mar, apesar do dinamismo imprevisível das ondas.

A ideia surgiu das limitações e da frustração que Arthur sentia por surfar desde a década de 80 e não obter a evolução esperada. Decidido a “virar o jogo”, esse agitado manezinho de 43 anos passou a ler livros de ciência esportiva, cinesiologia (estudo do movimento) e biomecânica (mecânica aplicada ao sistema biológico), tudo para melhorar o rendimento na água.

Formado em Educação Física pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e professor de Pilates, Arthur, ao completar 40 anos, realizou uma inédita manobra chamada aéreo no mar. A partir daí, viu futuro na técnica. “É algo pioneiro que pode queimar etapas dos surfistas, desde o cara que nunca ficou de pé na prancha até o profissional. O surfe não se aprende apenas na água. Ele pode ser aprimorado, através da ciência esportiva, fora da água”, observa.

Ao cursar mestrado em ciência do movimento humano na Udesc, o MAP levou Arthur a dar aulas de surfe em cima de skates. Hoje são 30 alunos espalhados pelo litoral catarinense. Com aulas de uma hora até três vezes por semana, o método conquistou quem o conhece. O preço é R$ 50, e as aulas acontecem na sala comercial que Arthur mantém no Campeche ou ao ar livre – em praias ou parques. Além dos pupilos, no entanto, poucos apoiam a implantação do método em academias e junto a profissionais. “É como dar murro em ponta de faca, porque quem surfa diz que não precisa aprender e apoiadores não reconhecem as vantagens do método”, resume Arthur.

Vantagens do método

Tubos, cavadas, rasgadas, aéreos, floaters e cutbacks. Manobras tradicionais do surfe, treinadas sobre um skate, proporcionam maior aproveitamento do tempo surfado, menor gasto de energia e menor risco de lesão, de acordo com Arthur. “É preciso um trabalho amplo de fundamentos no surfe, não adianta apenas alongar e entrar na água. O chamado MAP pretende que as angulações das articulações e os recrutamentos musculares ideais para o surfe sejam desenvolvidos no skate, o que propicia maior perfeição nas manobras”, avalia.

Surfista amador com sonho de ser profissional, Anderson Martins Bernardino Junior, 15, faz aulas com Arthur há dois anos. Nesse período, conta, aprendeu a dar aéreos, melhorou as rasgadas e aprimorou a concentração. Também levou o pai para conhecer o MAP, o que trouxe novo aluno a Arthur. “Melhorei a minha rasgada, que era um pouco presa, mas agora está solta. Sinto segurança em fazê-la”, aponta Junior, que neste fim de semana está em Santos (SP), disputando uma etapa do Paulista Amador de Surfe.

Aluno de Arthur mostra o MAP na água

Na cinzenta tarde de quinta-feira, ao chegar à Praia da Joaquina, Arthur encontrou um de seus alunos. Guilherme Ferreira, o Gui, vice-campeão catarinense de surfe em 2012, considera que surfar ficou “mais fácil” depois de implantar o MAP em seu treinamento. “É algo muito eficiente, porque traz ganhos na movimentação, nas projeções e na concentração que temos dentro da água. A partir das primeiras aulas, há cinco anos, já sentia a evolução das manobras, mesmo treinando os movimentos fora da água”, revela Gui, 34.

Ao lado dos jovens alunos de Arthur, Gui é uma das esperanças que o MAP venha a explodir no meio do surfe. De sua parte, o projeto já decolou, pois até seu filho de 10 anos já fez algumas aulas. “Ele chega em casa e não para de falar no que aprendeu”, relata Gui, enquanto Arthur utiliza seus contatos para levar o MAP mais longe. “Mantenho contato com pessoas dentro da Red Bull, e espero em breve poder pelo demonstrar que o método ajuda a aprender e a melhorar o nosso surfe”, conclui.

 

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